No texto de João A. Telles tem-se uma visão primária sobre os tipos de pesquisa, os paradigmas de pesquisas que se pode lançar mão a fim de desenvolver a pesquisa, o trabalho acadêmico ou a investigação científica social, que no caso do ensino, também fundamentado na ciencia humana. E ressalta que o paradigma interpretativista tem ganhado espaço no meio acadêmico por condizer mais com as variações contextuais sociais em que se insere a massa humana envolvida nos processos de pesquisas. Apesar de que quase sempre o que acontece em um determinado ambiente e contexto pode ocorrer em muitos outos, ou quem sabe na maioria. Mas o paradigma interpretativista não visa prescrever. Os resultados não devem ser fechados, mas abertos para posteriores alterações, dependendos dos envolvidos e da mudança de ambiente e contexto.
É dentro desse contexto do paradigma interpretativista que se instala a pesquisa qualitativa, que são de inúmeros tipos, mas ressaltaremos aqui a Pesquisa-ação descrita por Rita Maria Diniz Zozzoli em seu trabalho: Produção e autonomia relativa na aprendizagem de línguas, mais especificamente na segunda parte entitulada “Pesquisa de Intervenção ou Pesquisa-ação: caminhos metodológicos para a produção com autonomia relativa.
Para Zozzoli, a intervenção pode diferir da pesquisa ação, uma vez que a primeira sugere uma autoritariedade, ou uma interferência de uma liderança ou de uma superioridade. Ambas visam propor ações a partir de observações efetuadas em contextos similares. No entanto, a pesquisa-ação pode ir mais além quando a interação entre as pessoas envolvidas na pesquisa é maior fazendo com que se clarifique as problemáticas, delimitando e delineando corretamente os rumos da pesquisa, já que os problemas são corretamente identificados. Talvez essa interação não traga resultados tais quais venham a solucionar os problemas observados, pelo menos esclarece-os. As decisões podem ser tomadas e priorizadas a partir daí, pois uma das maiores metas é a concientização das pessoas envolvidas, bem como o aumento do conhecimento por parte dos pesquisadores no âmbito daquela pesquisa.
O berço da pesquisa-ação pode ser encontrado no final do século XIX e início do XX com nomes conhecidos, como Karl Max, com seus questionários, Kurt Lewin com o intuito de levar as pessoas a interagirem de modo a provocarem uma mudança em si mesmos e na sociedade. Nos Estados Unidos com a Escola de Chicago, na Alemanha, com Moser, na França com Barbier, e no Brasil, o nome mais reconhecido é o de Thiollent, que tem sido citado por pesquisadores de diversas vertentes da pesquisa denominada “qualitativa”.
Essa pesquisa-ação é dita sem lógica, nem estrutura de raciocínio, nem hipóteses, nem inferências, mas é uma questão de sentimento ou vivência. Segundo Thiollent, a estrutura de raciocínio da pesquisa-ação não é do tipo das ciências exatas. Ela procura reconhecer o valor cognoscitivo do processo argumentativo (ou deliberativo), abandonando a idéia de que há um único tipo de comprovação séria: observacional e quantificada das ciências da natureza. Suas previsões, se é que há previsões, são sem cálculos numérios, mas argumentadas, estabelecendo qualitativamente as condições de êxito das ações e avaliando subjetivamente a probabilidade de tal ou qual acontecimento, o que, de fato, não está aquém da nossa atual capacidade de antecipação em matéria de assuntos sociais.
Ela exige a rejeição das noções positivistas de racionalidade, empregando as categorias interpretativas a fim de proporcionar meios de distinguir as idéias e interpretações deformadas pela ideologia, identificando bloqueios e levando a superá-los e não aceitando uma verdade como absoluta, pois ela depende da prática.
Para se propor uma pesquisa dessa é necessário explorar campos onde possam haver “problemas”. Promover a organização de seminários para a escolha de temas com os participantes propondo um problema que tenha sentido, coleta de dados, e buscar na teoria o saber que possa embasar o fazer científico dessa natureza.
As técnicas podem variar, tais como, seminário, a entrevista coletiva e individual, os questionários, anotações (notas de campo), gravações em áudio, a narração (história) de vida e a entrevista em grupo, leitura de documentos oficiais como: registros, horários, regulamentos internos, balancetes, deliberações de conselhos de classe, quadros de avisos, fotografias de sala de aula, cartas de intimação, cadernos de correspondência, cadernos de textos, etc.
O fim de tudo isso não é generalizar, nem prescrever, nem dar uma receita de como dever isso ou aquilo, mas encaminhar a outros contextos diferentes ou similares os resultados obtidos com a prática da pesquisa qualitativa: Pesquisa-ação.
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